Compartilhamos experiências, tendências e aprendizados
sobre ESG, relacionamento com comunidades, educação
ambiental e desenvolvimento territorial.
Seja bem-vindo(a) à primeira edição da nossa newsletter. Aqui você encontra o que importa no universo socioambiental: tendências, datas relevantes, reflexões do campo e boas indicações e reflexões socioambientais. Tudo o que você precisa para manter o tema no radar e tomar decisões mais conscientes.
O EESG já chegou e veio para pressionar. O segundo “E” incorpora a dimensão econômica de forma explícita à sigla, respondendo a uma crítica crescente: que o ESG tradicional trata meio ambiente e social sem conectar essas agendas à viabilidade econômica das operações e dos territórios onde atuam.
“Não basta mitigar impactos. O novo padrão exige demonstrar que a operação gera valor econômico distribuído no território.”
Na prática, EESG representa uma convergência entre responsabilidade socioambiental e geração de valor compartilhado. Empresas que já operam com programas de desenvolvimento local, cadeias produtivas inclusivas ou investimentos em infraestrutura comunitária saem na frente, mas precisam saber nomear, medir e reportar isso. O movimento também reposiciona consultorias socioambientais: deixam de ser gestoras de risco para se tornarem arquitetas de valor territorial.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela ONU em 1972, chega em 2026 em um contexto de aceleração das metas climáticas globais e pressão crescente sobre empresas para apresentarem resultados concretos, não apenas compromissos. Para organizações com operações em territórios sensíveis, essa data é muito mais do que comunicação: é uma oportunidade real de avançar agenda.
Como transformar isso em movimento: Use a data para lançar ou reforçar compromissos públicos mensuráveis. Não um post, uma declaração com métrica e prazo. Empresas que usam o 5 de junho para anunciar metas de restauração de hectares, por exemplo, geram insumo direto para relatórios de sustentabilidade, atraem parceiros financeiros e reforçam licença social com comunidades locais.
Além disso, é o momento ideal para mapear sobreposições entre suas áreas de influência direta e os biomas prioritários para restauração mapeados pelo Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Esse cruzamento pode abrir portas para editais e fundos específicos.
Um sinal recorrente nas operações que acompanhamos: equipes socioambientais cada vez menores sendo demandadas a cobrir escopos cada vez maiores. Redução de quadro, enxugamento de orçamento operacional e aumento simultâneo de exigências regulatórias e de stakeholders formam uma equação de difícil equilíbrio.
Risco de subnotificação: Profissionais sobrecarregados tendem a priorizar o que é urgente sobre o que é estratégico. Monitoramentos, registros e relatórios ficam defasados, expondo a empresa em auditorias e renovações de licença.
Perda de continuidade com comunidades: Vínculo social é construído com presença constante. Equipes reduzidas interrompem cadências de engajamento, gerando vácuos que alimentam desconfiança e conflitos latentes.
Oportunidade para consultoria estratégica: Empresas nesse cenário buscam suporte externo especializado, por escopo ou período, que complemente sem substituir o time interno. Esse é exatamente o espaço de atuação mais valorizado por quem contrata consultorias socioambientais
Na última semana, a SSA realizou a apresentação dos resultados da Caracterização Socioeconômica dos municípios de Três Marias e São Gonçalo do Abaeté para representantes do poder público, associações, lideranças comunitárias e demais atores locais.
O estudo foi desenvolvido como o primeiro passo para a revisão do Plano de Desenvolvimento Local (PDL) da Nexa Resources elaborado em 2017 e com vigência até 2026. Além de atualizar o retrato socioeconômico dos municípios, o trabalho permitiu identificar tendências, desafios e potencialidades, resultando também na elaboração de uma Matriz de Forças, Oportunidades e Riscos Sociais (Matriz FOR) que contribuirá para orientar as estratégias do próximo ciclo do PDL.
O desenvolvimento sustentável de um território exige diálogo entre diferentes aspectos sociais, econômicos, ambientais, culturais e institucionais. Exige também articulação entre empresas, poder público, organizações sociais, lideranças e comunidade. É dessa convergência de esforços que surgem transformações mais sólidas, duradouras e capazes de gerar impacto real na vida das pessoas.
Por isso, além de subsidiar a revisão do PDL, esperamos que este estudo seja uma ferramenta útil para diversos atores locais, apoiando a tomada de decisão, construção de políticas públicas, fortalecimento de iniciativas comunitárias e o planejamento de ações que contribuam para o futuro da região.
Carney argumenta que o mercado precisa reaprender a precificar o que realmente importa: clima, coesão social e sustentabilidade de longo prazo. O livro é leitura obrigatória para quem toma decisões em grandes organizações e quer entender por que ESG deixou de ser modismo para se tornar linguagem central do capitalismo contemporâneo. Um convite para repensar o papel das empresas na sociedade, com profundidade e sem ingenuidade.